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Thursday, December 15, 2005

Catchup cinematográfico*

Um aviãozinho vermelho no centro da mesa. Uma mulher, um menino. Mãe e filho? Talvez.

Um menino; um menino de aproximadamente oito anos, moreno, cabelos lisos com franjinha, olhos escuros. Ele está vestido com o uniforme do colégio, meias cinzas combinando com a cor da blusa, tênis preto. No momento, está com os óculos. Parece inquieto; enquanto come um salgado e bebe refrigerante, inclina a cadeira que está sentado para frente e para trás como se estivesse num balanço. Talvez fosse esta a sua vontade – ou talvez ‘esta’ seja apenas uma inferência sem fundamento da observadora.

O catchup! Ah, quase que me esqueço de falar do catchup! Sempre antes de levar o salgado a boca, o menino molha a iguaria no líquido vermelho. A forma do garoto comer torna-se um ciclo: salgado, catchup, refrigerante, cadeira para frente e para trás, salgado, catchup, refrigerante...

Só que o ritual é interrompido antes do tempo. A mulher termina o lanche e chama o menino para ir embora. Ele concorda, pega o seu aviãozinho vermelho que estava no centro da mesa, e segue andando com o salgado... Sem o catchup agora.

*Texto escrito em outubro de 2001, durante um mini-curso que participei sobre roteiro de cinema para curtas. A cena descrita se passou na praça de alimentação do shopping Bouganville, em Goiânia.

Thursday, December 08, 2005

Notinha

A bancada do agronegócio não tem pique apenas no Congresso Nacional. Na noite – isto mesmo, eram aproximadamente 22h45 - da última quarta-feira (07), caminhavam pelas quadras da Asa Sul, na altura da 311, os deputados federais Ronaldo Caiado (PFL-GO) e Luis Carlos Heinze (PP-RS), presidente e vice, respectivamente, da Comissão de Agricultura da Câmara. Dormir pra quê? O negócio é aproveitar cada momento para articular, e claro, colocar em dia as atividades físicas. Ah, se as árvores do Cerrado falassem...

Wednesday, December 07, 2005

CONTAGEM REGRESSIVA

Faltam apenas duas semanas para eu entrar de férias. Por 30 dias. Dá pra acreditar?

Monday, November 21, 2005

Nothing to do

Como não tenho nada para fazer e cansei de deixar esse blog às moscas – ainda mais agora que está com novo template -, resolvi listar neste post os filmes que assisti em 2005. Tudo muito light, sem análises e ponderações. Ah, registro também as únicas duas peças que me tiveram como público nos últimos 365 dias: As mentiras que os homens contam e Cócegas.

The list:

1) Aos 13
2) As Branquelas
3) Alfie, o sedutor
4) Os Incríveis
5) Entrando numa fria maior ainda
6) Sideways
7) O Grito
8) Constantine
9) Hitch – Conselheiro Amoroso
10) O diário da Princesa 2
11) Efeito Borboleta
12) Miss Simpatia 2
13) Irmãos de Fé
14) Celular
15) A Queda – Os últimos dias de Hitler (acho que o título é esse – como isso não é trabalho jornalístico, me dei o prazer de não checar o nome da obra).
16) Sr e Sra Smiths
17) Madagascar
18) Menina dos Olhos
19) Diário de Motocicleta
20) Meu Vizinho Mafioso 2
21) De repente é amor
22) A Ilha
23) A Última Ceia
24) Tratamento de Choque
25) A Sogra
26) Procura-se um amor que goste de cachorros
27) Amor em Jogo
28) A Dona da História
29) Plano de Vôo
30) A Noiva Cadáver

Wednesday, November 16, 2005

Mais um pela metade!

Preciso parar com esta pouca vergonha. Já tá virando vício. Não concluo os meus textos; interrompo-os quando surge... Ah, sei lá, não quero também terminar esta frase.

Tá aí outro post que me deixou na mão... Rabiscado em agosto, acho.


Tenho que me familiarizar com novos nomes. Relembrar certas regras. Resgatar a emoção. É isso que dá. Que deu.

Ignorei um certo ‘universo’, só porque o meu escasso tempo ‘fez o favor’ de impedir que eu vivenciasse o entusiasmo outrora experimentado. Não tem jeito; essa é uma realidade que a Carla não sabe – não quer - viver sem. Ela pode até ficar um certo tempo afastada, mas quando há o reencontro, ah, os sinais voltam. Totalmente perceptíveis como naquela primeira vez. Olhinhos vidrados, caretas, pedidos de silêncio... Tudo para não ser interrompida quando assiste à alguma partida esportiva na Tv.

Pois é, depois de ‘séculos’, tive o privilégio de conferir Brasil e Eua em ‘duelo’ nas quadras de basquete. A partida, válida por uma tal Copa Internacional Eletrobrás – estão vendo como estou desatualizada -, aconteceu no Minas Tênis. Tudo de bom!

Nem lembro mais direito o dia do jogo; em agosto, creio que ainda na primeira quinzena.

...

Sem inspiração na época que escrevi; sem memória agora para comentar os detalhes do evento. Ai, ai!

Monday, July 25, 2005

Do envelope pardo para a tela do seu PC

Não fiquem receosos, envelope é bem diferente de mala. E eu garanto. Não tinha dinheiro algum no envoltório. Só um papel com uns rabiscos. Para ser mais exata, a minuta do que deveria ter sido o 2º editorial do Jornalzinho da Broadway. Mas não foi. Preferiu ficar guardada por quase quatros anos – putz! – para só agora ‘dar as caras’ ao público.

04/09/01

2º Jornalzinho da Broadway - Editorial

Pode ser que o leitor mais assíduo desta coluna... Pausa. Vírgula. Depois das reticências? Não, não é muito usual. Melhor um parênteses. (E olha que o vocábulo assíduo foi escolhido propositalmente, já que ele é capaz de forjar um trabalho que pretendia ser mensal e, por relapso da escritora, a sua 2ª edição vem com um atraso singelo de três meses...) Mas o que é mesmo que eu estava tentando dizer, ops, escrever?

Ah, essas manias que os escritores têm de intrometer seus mais estranhos pensamentos nas linhas que esboçam ou de ficarem justificando seus erros! Ah, essas manias certamente irritam os leitores.

Mas o que se pode fazer? É como o Luis Fernando Verissimo diz em se livro “Comédias para se ler na escola”:

“Você leitor, pode parar de ler. Pode ir passear, tomar um sol... Mas eu? Eu não posso parar de escrever. As idéias não podem ser desperdiçadas, mesmo que nos custem amigos, a vida, ou o sono”. (pág 34)

Deixando tais divagações de lado, optei por recomeçar este 2º editorial. E agora, sem interrupções. Então vamos lá.

Pode ser que o leitor mais assíduo desta coluna esteja estranhando o atraso de três meses na publicação do Jornalzinho da Broadway. Afinal, a primeira edição parecia bastante promissora e otimista. Talvez você não se lembre, mas ela dizia mais ou menos assim:

“São de impulsos instantâneos que se materializam os sonhos”.

Completava com outras sentimentalidades:

“Você, leitor, pode nos ajudar a manter esse êxtase repentino...”

Não pensem que, com as palavras acima e com esse tom irônico, estou desmerecendo o primeiro editorial. Nem o poderia fazer, afinal fui eu quem o escrevi. Mas, sabe o que é, escritor (ora, ora, quem diria, já me julgo uma) adora criticar o trabalho anterior, a fim de mostrar que evoluiu no seu ofício. Ih, já estou eu de novo interferindo na sua leitura. Tudo bem, nada de pânico! Já que até agora o que consegui demonstrar neste editorial foi o atrito entre eu, a minha mente e a caneta – viu como não sou tão moderninha assim; uso primeiro um ‘pincel’, depois o computador -, por que não aproveitar o tema da “arte de escrever” para pautar essa 2ª edição do jornalzinho? Afinal, literatura e cinema sempre formaram um par perfeito. Você vai conferir, portanto, resenhas, notas e curiosidades sobre filmes que foram baseados em obras literárias, além...

Pra variar, mais um texto que ficou pela metade. Fazer o quê, cidadão?

Thursday, July 14, 2005

Mais Broadway

Sem muitas explicações, publico abaixo o editorial que produzi para o 1º - e único, diga-se de passagem – Jornalzinho da Broadway.

Ano 01 – Número 01 – Maio/01


Após pensarmos muito como abrir este, que é o primeiro de muitos outros editoriais, decidimos lançar mão da seguinte frase:

"São de impulsos instantâneos que se materializam os sonhos”.

Talvez o leitor deva estar tentando lembrar o nome do autor da afirmativa acima, ou mesmo se perguntando porque ela mereceu esse espaço na página. Não, não perca o seu tempo, definitivamente nenhum filósofo a escreveu. É apenas uma dessas frases soltas e de cunho sentimentalista que vem para cumprir uma função: a de descrever o nascimento do “Jornalzinho da Broadway”. Foi assim mesmo, caro leitor, de um impulso instantâneo, de um êxtase repentino que a idéia surgiu. Mais adjetivos para detalhar esse momento seriam por demais cansativos e igualmente desnecessários; ao leitor, basta reler a frase toda vez que sentir necessidade de entender a gênese desse mini-projeto. Afinal, aquela velha prerrogativa vale também aqui: para bom entendedor, meia palavra – ou uma frase sentimentalista – basta.

Tudo bem, reconhecemos que jogar a responsabilidade da compreensão de um texto no leitor, quando o que falta é inspiração dos autores, é algo muito feio. Mas pera lá, temos uma justificativa, um tanto mítica, é verdade. É que ainda não encontramos o nosso ‘muso’. Por falar nisso, aproveitamos para destacar, em nossa primeira edição, texto sobre o filme “A Musa”, do diretor Albert Brooks. Você vai conferir ainda resenha da nossa colega Camila Carvalho sobre o polêmico “O povo contra Larry Flynt”. Na página 03, marca presença uma tentativa de análise sobre “O carteiro e o poeta”. Mas tem mais informação cultural por aí. O leitor ficará por dentro dos lançamentos que estão por vir, além de saber dos filmes mais locados.

Esperamos com essa iniciativa promover uma maior interação entre os clientes, e agora também leitores, e a Broadway. Sua opinião e sugestão são muito importantes para nós. Por isso, participe, escreva, critique se for o caso – mas, por favor, respeitem a “regra”: críticas não devem ser feitas na frente do nosso chefe. Enfim, ajude-nos a manter o impulso que originou o projeto.

Desde já, agradecemos a sua colaboração.

Equipe da Broadway.

Thursday, June 30, 2005

Baseado em fatos reais

O roteiro, nada original. O tempo de duração do filme, nada convencional. Mas foi assim mesmo que aconteceu. No ano de 2000, eu iniciava a minha odisséia pelo mundo cinematográfico e me consolidava como protagonista da película que, por dois anos, ficou em cartaz em Goiânia. O cenário da trama? Bem ali, sabe, na esquina da R-11 com a Rua 12, no Setor Oeste. Tá, tá. Vou ser mais exata, afinal ninguém gosta de enrolação demais, principalmente quando se está doido para pular o trailer – se bem que eles são essenciais quando chegamos atrasados nas sessões de cinemas. Mas deixa pra lá. Voltemos ao local onde parte de minhas histórias viraram cenas de filmes – pelo menos na minha mente: a locadora de vídeos Broadway Vídeo Shop. Mas atenção, os relatos que se seguem serão divididos em pequenos episódios – e nem todos serão evidenciados neste post. Sabe como é, né? Não posso abandonar a fama que cultivei no início do blog. Lembram? A tal mania das obras incompletas. So (é o vocábulo em inglês, tá gente), LUZ, CAMÊRA, AÇÃO!

Cena 1: Em menos de dois meses de trabalho, sou eu, e não a mocinha de Hollywood, que encontra-se em perigo. Quase 22 horas – horário que marca o fim de expediente -, e a locadora é assaltada. Adivinhem quem estava no caixa? Uma garota – como diriam os meus colegas de gabinete, uma guria – de 19 anos, que cursava, na época, o primeiro ano de jornalismo na UFG. A reação dela? Achou que era brincadeira e, só se convenceu do contrário, depois que o meliante mostrou, discretamente, que portava uma arma. As mãos trêmulas quase não conseguiram entregar todo o dinheiro ao rapaz do outro lado do balcão. Mas conseguiu efetuar a transação, atender os interesses do cliente atípico. Exceto pelas moedas. Elas ficaram no caixa.

Outra tomada – só para esclarecer o que aconteceu com os outros personagens. Enquanto um dos assaltantes – eram dois - ‘tomava conta’ de mim, o outro colocou os demais funcionários – inclusive a dona do estabelecimento e sua filha, que estavam na locadora – na salinha do escritório. Mais tarde, me juntei a eles. Contamos até... Não me lembro em que casa numérica paramos, mas depois de um certo tempo, chamamos a polícia. Claro que nada foi resolvido. Podemos, portanto, nos aventurar e filmar uma seqüência. E, desta vez, fugimos das obviedades do mundo real, e colocamos nossos “agentes de segurança” pra funcionar.

Detalhe: não havia clientes na hora em que a locadora foi assaltada.

Thursday, June 09, 2005

Churrasquinho e Samambaia

Calma! Não se desesperem! Conheço bem as minhas limitações; como chef de cozinha, sou ótima jornalista. O título do post serve só para ambientar o próximo texto do blog.

Escrito em agosto de 2003 para o Samambaia - jornal laboratório da UFG -, o “Que tal acompanhado de um bom papo?” foi uma ótima oportunidade para me libertar das regras da pirâmide invertida e experimentar o caminho mais leve, ameno e solto que os artigos percorrem... E tudo isso com um tema que, na mesa, faz a alegria dos brasileiros: o churrasquinho.

Aos comensais* corajosos que toparem digerir a receita exótica sugerida pelo título, bom apetite!

Que tal acompanhado de um bom papo?
O filósofo francês Jean-Jacques Rousseu já sabia: é através do “olhar do outro” que o homem se socializa. É claro que quando faz esta observação, o filósofo está muito mais preocupado em estudar a origem da desigualdade humana, do que propriamente descrever o lado lúdico de encontros e reuniões. Isto, no entanto, não nos impede de usar a sua frase para retomarmos histórica e antropologicamente alguns dos momentos de lazer e descontração da humanidade. Como exemplo, podemos citar a civilização grega com suas festas oferecidas aos deuses do Olimpo. Ou, então, voltar ao tempo descrito por Lord Byron, quando os homens se reuniam para beber e conversar sobre amores frustrados nas tavernas. E o que dizer sobre os cafés parisienses do século XIX, freqüentados por intelectuais e políticos da época? Tudo bem, deve estar pensando o leitor, mas... E a minha realidade? Onde ela se encaixa nesta linha histórica de reuniões e encontros sociais?

O antropólogo brasileiro Roberto da Matta - em seu livro O que faz o brasil, Brasil - já dizia que as festas e os momentos de descontração em geral permitem descobrir oscilações entre uma visão alegre e soturna da vida. “Neles, aquilo que passa despercebido no cotidiano é ressaltado e realçado, alcançando um plano distinto". É como se conseguíssemos, por um instante, nos desvincular dos problemas e das preocupações do dia-a-dia e do trabalho. Bem, se os “bacanas” da nossa classe média buscam o lazer nos “happy-hours” em bares sofisticados, o povo brasileiro instituiu um jeitinho muito mais convidativo de romper o ciclo casa-trabalho-casa. Foi nos botecos da vida que o espetinho com cerveja ganhou seu espaço como elemento cultural importante. Afinal, como afirma Da Matta, “a comida, além de indicar uma operação universal, serve também para definir e marcar identidades pessoais e grupais, estilos regionais e nacionais de ser, fazer, estar e viver”.
Então, fica combinado assim: como esta discussão é muito ampla e eu não quero ser acusada de um “diálogo unilateral", nos encontramos na próxima esquina de bar para conversarmos sobre esses assuntos. Ou, se você preferir, também entendo um pouquinho de futebol...
*Vocabulário que aprendi com o Lindo.

Friday, May 06, 2005

Detector de mentiras

Este post está fresquinho; acabei de escrever.


Definitivamente...

Eu sei, eu sei. O manual de redação da Folha não recomenda a utilização de advérbios – que expressem juízo de valor - no início de frases. Mas, dá licença consciência jornalística, vai dar uma voltinha, porque eu não tô escrevendo matéria, release ou paperzinho. Só quero relatar alguns fatos do local onde trabalho. Recomecemos.

Definitivamente, a Câmara precisa investir em segurança. Não me refiro aos homens de pretos que contrataram recentemente e que esboçam aquele sorriso sarcástico quando percebem a ausência de crachá nas vestimentas dos funcionários (é brincadeira, além daquele gesto facial, sou obrigada a ouvir frases que sonhei para o início do meu dia, tipo "Nunca leu o regimento interno da Casa?") Mas tudo bem, nada que uma ignorada básica não resolva.

O investimento que pleiteio é o tecnológico; a idéia, impulsionada por um secretário parlamentar em conversa de elevador: "Se a Câmara tivesse um detector de mentiras, metade das pessoas não conseguiria entrar na Casa". ÓTIMO! MARAVILHA!

Ai, ai. Se os administradores já tivessem acatado a sugestão, não teria eu, numa noite de quarta-feira, dia 13 de março, me deparado com uma figura estranhíssima. Perto das 20 horas entra no gabinete uma senhora loira, baixa, com aquele ar stock-up, pedindo para usar o telefone. Angélica, minha colega de trabalho, permitiu, já que o estilo "sou importante, não tá vendo" parecia ser de uma gaúcha. Abre parênteses. Para quem não sabe, trabalho para um deputado do Rio Grande do Sul. Fecha parênteses. Pois é, o telefonema da distinta senhora – que não veio dos pampas, mas da cidade do concreto, São Paulo - se transformou em dois, três, quatro... Afinal, dinheiro público serve para isso mesmo. E teve mais: contar os seus problemas, fofocas e mentiras, via Graham Bell, era pouco; achou conveniente importunar os ouvidos de todos os que estavam no gabinete 526 - ainda no batente - com uma lorota... "Sou advogada e vou assumir um cargo no STF daqui a alguns meses [sei, sei]. Estou com problema de dinheiro, vocês tem indicação de algum hotel para eu ficar?"

Angélica, toda prestativa, ainda liga para alguns hotéis. E não é que a senhora pede pra conversar com o gerente e 'mete o pau' no preço do estabelecimento. "Porque convenhamos, o hotel de vocês é bem ruinzinho (é assim que escreve?) para querer cobrar esse valor". Ah, me poupe! Não tem dinheiro para nada e ainda quer dá uma de dondoca? Quando digo nada, é nada mesmo. Tanto que, quando ela saía do gabinete, pediu duas garrafas de água para levar.

P.S: Não comentei outras tiradas que fazem dessa senhora excelente candidata ao cargo de mãe do pinóquio. "Trabalhei nas Diretas Já, fui assessora do Ulisses Guimarães..." ANRRAN, ANRRAN. (nunca fui boa com onomatopéias, mas espero que esta tenha funcionado).

Wednesday, March 16, 2005

Erros, Análises e Divagações

Reler os próprios textos, depois de um certo tempo, pode ser um exercício bastante interessante. O difícil é conter as mãos; atá-las a fim de mantermos a integridade física e moral das idéias de outrora. A tentação ronda, e o narcisismo incita: devemos mudar aquelas partes que já tornaram-se obsoletas pela passagem do tempo, bem como os trechos que carregam erros, hoje, pela prática, experiência ou maturidade, mais perceptíveis. Ou não. (Porque o ser humano tem esta mania besta de perfeição? Este post mesmo deve estar cheio de falhas).

De qualquer modo, o desafio de publicar qualquer tipo de material escrito anteriormente já foi lançado no início deste blog. E já que as mancadas, os equívocos, os gerúndios utilizados em excesso e as palavras repetidas fazem parte do processo de crescimento do ser humano – assim como este discurso de filosofia barata faz parte dos argumentos que, por ora, a autora se apóia – preferi não fugir da raia e trago à tona todos os meus sics – do passado, do presente, e se pudesse, os do futuro.
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Então tá aí: os textos abaixo foram redigidos com a função de ‘enrolar’ um certo professor facombiano em 2003. Participar do projeto dele aos fins de semana era pouco. Pediu, e olha no que deu.

Ah, só mais um aviso – e mais uma mania divulgada: adorava escrever como se fosse ‘dona de uma coluna’.

Na volta de aquecimento

Grande Prêmio do Japão, 53 voltas para a estréia... Estréia? De quem? De que carro? Talvez o leitor mais atento esteja tentando entender a procedência desta informação, afinal já estamos na última etapa da temporada da Fórmula 1 – 2003. Antes que você me chame de doida ou desista de ler essa coluna, eu explico: na verdade, a estréia é minha, como colaboradora e redatora desta página de esporte. Já que ainda não disponho do prestígio de uma "Na grande área" e da popularidade de um Armando Nogueira (não se incomode com a pretensão, estudante de jornalismo é assim mesmo), achei interessante apresentar este espaço ao leitor. Daí veio a idéia de fazer uma "volta de aquecimento", falando um pouquinho de mim e da minha relação com o esporte, para depois entrar nos "finalmente" da corrida. Então, vamos às informações (aliás, são elas que fazem o mundo girar atualmente, não é mesmo?)

Sobre a ‘piloto’:

Comecei a acompanhar a área esportiva no ano de 1992. Morava em Goiânia na época, e com meus 11 anos de idade, ainda não entendia a lógica de 22 homens correrem atrás de uma bola de futebol. Ficava imaginando quem teria crédito maior: o time que estava com a bola (pois teria a chance de fazer o gol) ou o adversário que, invariavelmente, em poucos minutos, ou até mesmo segundos, ‘roubaria’ a bola e aí teria a sua oportunidade. Pensamentos filosóficos (ou estranhos mesmo) a parte, a verdade é que eu ainda não tinha descoberto a paixão pelo futebol e pelo esporte, em geral. Assistia as partidas aos sábados, porque com uma televisão só funcionando em casa, e com meu pai no comando do controle remoto, eu não tinha outra opção. Mas as coisas mudaram. Aos poucos, comecei a gostar de futebol e, cada vez mais, prestava atenção nas explicações do meu pai. Vocês sabem, essas explicações sobre impedimento, gol olímpico e até sobre a mãe do juiz, que todo menino parece nascer sabendo e que eu tive a sorte de aprender. Ouvi falar até de uma tal supremacia do São Paulo (time que meu pai torcia), mas com o discernimento correto, resolvi não adotar esta filosofia na minha vida. Fazer o quê, né? Nem toda educação é perfeita, pais também erram...

O futebol marcou apenas o início da minha relação com o esporte. Em 1992, descobria as outras modalidades nos Jogos Olímpicos de Barcelona. E mais uma vez, não tem como deixar de falar do meu pai. Era ele quem me acordava de madrugada para assistirmos aos jogos. Fui me familiarizando com alguns nomes e apelidos: Jaime Oncis, Mão-Santa, Gustavo Borges, Márcia Fú, Giovanne Gavio, Hortência... Daí para frente, não tinha mais jeito. Tinha me tornado ‘a’ torcedora do esporte brasileiro.

E sobre a Fórmula 1, o que eu tenho a dizer? Confesso que pouco acompanhei sobre o nosso maior ídolo, Ayrton Senna. Apenas lembro-me de torcer por ele na Mac Laren e pelo Rubinho na Jordan; acho que em 93. E no ano seguinte...expectativa total, contrato com a Williams e um muro que não pode ser transposto...

Como você perceberá, leitor, o meu conhecimento em esporte não é especializado, mas sim empírico, resultado de jogos, partidas e corridas que assisti. Isto ficará ainda mais claro quando você iniciar a leitura do texto abaixo, fruto muito mais da minha memória (que, lógico, é falha) do que de estatísticas sobre o assunto. A minha intenção aqui é escrever sobre algo de que gosto, e de que gosto muito, apesar de reconhecer que nem sempre estou atualizada com as novidades da área. Um último recado para você: estou aguardando o seu feed-back e a sua contribuição, para que esta coluna, não só melhore, mas para que ela possa, tal como a sua redatora, se ‘formar’ e obter o diploma de "Doutora da Bola".

A Largada

Eu juro que tentei. Tentei, reconheço agora que em vão, resistir a tendência que insistia em torcer contra o Barrichello. Estava eu, desde 93, acompanhando a sua Jordan e torcendo para que ela chegasse ao menos em 6º lugar e, assim, pudesse garantir um ponto ao nosso piloto. Vibrei eu quando Senna o elogiou, quando a sua habilidade em pista molhada foi reconhecida, quando conseguiu sua primeira pole-position, quando fechou contrato com a Ferrari, quando ganhou a sua primeira corrida em julho de 2000. Fiquei do seu lado até, depois daquela palhaçada na temporada de 2002 (não me recordo o circuito), na qual Rubinho deixou Schumacher passar a sua frente na última volta. E até no início deste ano, torcia eu desesperadamente por ele, quando por falta de gasolina, abandonou a corrida de Interlagos. Só que, com a chegada da última etapa da F-1 2003, em Suzuka, no Japão, me vi obrigada a mudar de lado. Quando as cinco luzes vermelhas se apagaram na madrugada do dia 12/10 (horário de Brasília), me tornei a fã nº 1 de Raikkonen. Afinal, não queria ver eu, de novo, Schumacher campeão (e o que é pior, pela sexta vez). Só os 10 pontos do finlandês me interessavam.

O porquê da minha antipatia pelo alemão? Sei lá, acho que nem Freud explica. Mas acho que tem a ver com a mitificação que fizeram em torno do cara. Me lembro muito bem, quando ele ainda corria pela Benneton, dos ‘quartos lugares’ que alcançava. Ok, reconheço também que ele se destacou em muitas corridas com aquele carro amarelinho, ele é bom, mas... Acho que o que me incomoda é o fato dele ter superado algumas marcas e alguns recordes do Senna.

Aproveitando que abri um parêntese para falar das minhas antipatias no esporte, aí vai mais uma revelação: Surpresa! O Galvão consegue me irritar. Na verdade, nada de novo até aí, ele consegue irritar muita gente. Para ficar só com o exemplo da corrida de ontem, têm-se alguns fatos. Primeiro, o locutor não se cansava de falar mal da TV Japonesa. "Gostaríamos de lembrar que a geração das imagens é feita pela TV Japonesa e que existem, no momento, algumas falhas na parte da informática, por isso eu e o Reginaldo estamos com dificuldades em passar as informações precisas para você, telespectador". Tudo bem, problemas acontecem, mas ficar falando mal o tempo todo (engraçado, percebi que eu estou fazendo o mesmo...) Acho melhor guardar estas aflições comigo. Vamos à corrida, então:

Rubinho já na 1ª volta perde a pole para o colombiano Juan Pablo Montoya, Da Matta cai de 3º para 4º lugar e Raikkonen sobe duas posições. Enquanto isso, Schumacher, em oitavo, vai garantindo o título inédito. Mais alguns quilômetros e o panorama muda: o alemão erra na 6ª volta ao tocar com o bico do carro na BAR do japonês Takuma Sato. Vai para o pit stop e volta na última colocação. Daí para frente é a sua corrida de recuperação.

Mais incidentes na pista: Montoya abandona por problemas hidráulicos, Alonso sai da corrida e Shumacher volta a errar ao tentar ultrapassar Cristiano da Matta na 42ª volta. Mesmo com tantos contratempos, não teve jeito: o hexa foi do alemão e a frustração ficou com a redatora, que por ora, escreve nesta coluna.

Pódio de Suzuka:
1º lugar: Rubens Barrichello
2º lugar: Kimi Raikkonen
3º lugar: David Coulthard

Sunday, March 06, 2005

Obras Incompletas

Antes do texto ‘Seu Alcides’, os esclarecimentos: Sou mestre em deixar meus ‘rabiscos’ pela metade. Não foram poucas as linhas omitidas; as palavras que teimaram comigo e fugiram do papel – vai ver, tinham algo mais interessante pra fazer do que obedecer às minhas ordens. Mas vá lá... Poderia até tentar enumerar as razões por, muitas vezes, não ter concluído as etapas - textuais, ensinadas pela tia de redação na escola; ou jornalísticas, vivenciadas, primeiramente, nos corredores da Facomb. Mas prefiro lançar mão de uma boa desculpa esfarrapada. Sabe como é... Você, toda empolgada, com caneta ou teclado à disposição, e de repente, uma pequena interrupção, o telefone que toca, o pedido de ajuda de um parente, a lembrança de um compromisso...

Eita, o almoço ficou pronto...

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Após a introdução acima – sem desenvolvimento e conclusão mesmo – coloco o ‘Seu Alcides’ em pauta pra ilustrar a minha mania por obras incompletas. Ah, só mais um aviso: seguem, junto com o texto, indicações sobre dia e local da (falta de) inspiração.

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Uberaba, 06 de janeiro de 2005 - 'escritório' do Tio Beto
Já pensou no que 45 minutos podem fazer com a sua vida? Antes que os torcedores de plantão afobem-se em dar uma resposta - aquela, sabe, que responsabilizará esta parcela de tempo pela derrota do time do coração - antecipo-me, tomo o apito do juiz e (re) conduzo o jogo. Trocadilhos à parte, vamos ao que interessa, afinal a conversa que consolidaremos a seguir tem nas salas de cinema - neste caso - um cenário muito mais sugestivo do que o oferecido pelas arquibancadas dos estádios.

Recomecemos. Três quartos de uma hora antecipados proporcionaram a mim - pessoa física, residente em Brasília, de férias na cidade natal, Uberaba, - conhecer uma pessoa especial: Alcides, pele clara, com seus 1,70, elegante, vestido impecavelmente com uma camisa de linho branco, calça azul marinho combinando com a meia, e sapatos pretos. Cupido em ação? Sinto em desapontar aos 'últimos românticos', mas o enredo aqui não segue a linha água com açúcar. Os detalhes omitidos até então podem evidenciar o caso não concretizado. Enumeremos: Primeiro, sou comprometida e muito apaixonada pelo AMOR DA MINHA VIDA ( se você lembrou do hit do Cazuza, fico feliz; era esta a minha intenção). Segundo: mesmo se fosse solteira, há uma incompatibilidade básica; bem, pelo menos para mim, que graças à Deus, sou conservadora em determinadas situações: Alcides, ou melhor, Seu Alcides (meus pais sempre me ensinaram a tratar com respeito as pessoas mais velhas) tem idade para ser meu avô, 80 anos.

Curioso para entender este encontro de gerações e as circunstâncias temporais e espaciais que o envolveram? Então, vamos lá, numa linha cronológica, sensata, sem idas e vindas - exatamente o contrário de tudo o que fiz até agora.

Noite gostosa em Uberaba, esta do dia seis de janeiro. Clima ameno, ideal para ir ao cinema caminhando pelas ruas da cidade. Melhor ainda perceber que os nossos passos (sem o estresse, a correria do dia-a-dia) conseguem chegar ao local almejado em 10 minutos. Ah, as companhias! Quase esqueço de falar que, acompanhando o andar dos meus tênis novos, estavam mais dois pares de sandálias: o da minha irmã do meio e o da minha prima.

Conversa boa durante todo o percurso e chegada 'prevista' dentro do horário no Cine São Luiz, às 20h45. Abro um parêntese agora para explicar as aspas digitadas há uma linha atrás: segundo as informações da minha irmã, o filme começaria às 21 horas. Pena que o horário no cartaz teimou com ela: apontava, com números em negrito, 21h30. A solução: ficar esperando, por 45 minutos, a sessão do filme.

A próxima seqüência da narrativa não é nada difícil de adivinhar: é neste exato momento que conhecemos Seu Alcides. Na verdade, que conversamos com ele. Afinal, contatos preliminares já haviam sido estabelecidos com o homem que desde 1949 controla a entrada do primeiro cinema de Uberaba. Seu Alcides recolheu, com certeza, muitos tickets da família Lacerda. O equívoco do clã? Não ter percebido que a história de vida dele podia ser muito mais interessante do que o roteiro que nos aguardava nas telonas do cinema.

Erro reparado, diálogo iniciado. Com um tom de voz sereno, Seu Alcides discorre sobre fatos cotidianos. Somos premiadas com estórias que poderiam render Oscars, e digo, em diversas categorias. Ele gaba-se - com razão - de nunca ter pagado uma sessão de cinema. Já foi reconhecido em terras mais remotas, pelo menos alguns quilômetros consideráveis distante do local de trabalho. Na praia de Guarapari, foi identificado carinhosamente como 'o careca do São Luiz'.

Sobre o emprego, é enfático ao responder porque há 56 anos - e mesmo aposentado - bate ponto no São Luiz. "Minhas filhas, isto aqui é melhor do que a minha casa". Até como free lancer na sua área trabalhou: estava em visita à sua filha mais velha, que mora na Capital Federal, e deu uma passadinha no Cine Brasília. O responsável pela catraca do cinema queria ir à Goiânia, e Seu Alcides, prestativo, topou ficar no lugar do colega.

P.S: texto incompleto, vou entrevistar o cara para ter mais histórias...

- a altura e a idade do Seu Alcides, descritas no texto, baseiam-se em impressão.

Planeta Diário

De mala e cuia. É assim que entro, definitivamente, no mundo virtual. Na bagagem, resquícios e lembranças do que foi antes o registro de idéias em suportes convencionais. A partir de hoje, não apenas folhas de papéis e disquetes testemunham o teor das minhas opiniões e pensamentos.

Pois é, deixei a resistência de lado, me rendi aos (dis) sabores de viver em uma comunidade global e aceitei o desafio de ter e manter um blog. Com um adendo (acho esta palavra muito feia, não sei nem porque a usei): no espaço, vocês vão encontrar, além de relatos do dia-a-dia de uma jornalista recém-formada, artigos e escritos de longa data que me acompanham e imploram por publicidade. Tudo bem, reconheço, já entrou em cena – putz, e no segundo parágrafo – o ego inflado que acompanha a profissão. Sejamos, então, diretos e pragmáticos: o blog vai servir para dar visibilidade a tudo que escrevi e cansou de viver no anonimato.

Depois de todo este nariz-de-cera, creio que fica mais transparente – ou não - a escolha do nome ‘Planeta Diário’. O lugar que abrigará os posts precisava de uma certidão de nascimento referendada no mundo jornalístico, não necessariamente no real. A opção enveredou-se pelo caminho da ficção e a primeira lembrança que tive antecipou-se, e digo, rapidamente, em materializar-se como o órgão oficial de comunicação da Carla Lacerda. E o resultado está aí, espero eu, pra super-herói nenhum botar defeito.

Primeiro P.S:

Que fique bem claro: a periodicidade dos posts não se submete à imposição – sutil – que o título sugere.