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Wednesday, March 16, 2005

Erros, Análises e Divagações

Reler os próprios textos, depois de um certo tempo, pode ser um exercício bastante interessante. O difícil é conter as mãos; atá-las a fim de mantermos a integridade física e moral das idéias de outrora. A tentação ronda, e o narcisismo incita: devemos mudar aquelas partes que já tornaram-se obsoletas pela passagem do tempo, bem como os trechos que carregam erros, hoje, pela prática, experiência ou maturidade, mais perceptíveis. Ou não. (Porque o ser humano tem esta mania besta de perfeição? Este post mesmo deve estar cheio de falhas).

De qualquer modo, o desafio de publicar qualquer tipo de material escrito anteriormente já foi lançado no início deste blog. E já que as mancadas, os equívocos, os gerúndios utilizados em excesso e as palavras repetidas fazem parte do processo de crescimento do ser humano – assim como este discurso de filosofia barata faz parte dos argumentos que, por ora, a autora se apóia – preferi não fugir da raia e trago à tona todos os meus sics – do passado, do presente, e se pudesse, os do futuro.
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Então tá aí: os textos abaixo foram redigidos com a função de ‘enrolar’ um certo professor facombiano em 2003. Participar do projeto dele aos fins de semana era pouco. Pediu, e olha no que deu.

Ah, só mais um aviso – e mais uma mania divulgada: adorava escrever como se fosse ‘dona de uma coluna’.

Na volta de aquecimento

Grande Prêmio do Japão, 53 voltas para a estréia... Estréia? De quem? De que carro? Talvez o leitor mais atento esteja tentando entender a procedência desta informação, afinal já estamos na última etapa da temporada da Fórmula 1 – 2003. Antes que você me chame de doida ou desista de ler essa coluna, eu explico: na verdade, a estréia é minha, como colaboradora e redatora desta página de esporte. Já que ainda não disponho do prestígio de uma "Na grande área" e da popularidade de um Armando Nogueira (não se incomode com a pretensão, estudante de jornalismo é assim mesmo), achei interessante apresentar este espaço ao leitor. Daí veio a idéia de fazer uma "volta de aquecimento", falando um pouquinho de mim e da minha relação com o esporte, para depois entrar nos "finalmente" da corrida. Então, vamos às informações (aliás, são elas que fazem o mundo girar atualmente, não é mesmo?)

Sobre a ‘piloto’:

Comecei a acompanhar a área esportiva no ano de 1992. Morava em Goiânia na época, e com meus 11 anos de idade, ainda não entendia a lógica de 22 homens correrem atrás de uma bola de futebol. Ficava imaginando quem teria crédito maior: o time que estava com a bola (pois teria a chance de fazer o gol) ou o adversário que, invariavelmente, em poucos minutos, ou até mesmo segundos, ‘roubaria’ a bola e aí teria a sua oportunidade. Pensamentos filosóficos (ou estranhos mesmo) a parte, a verdade é que eu ainda não tinha descoberto a paixão pelo futebol e pelo esporte, em geral. Assistia as partidas aos sábados, porque com uma televisão só funcionando em casa, e com meu pai no comando do controle remoto, eu não tinha outra opção. Mas as coisas mudaram. Aos poucos, comecei a gostar de futebol e, cada vez mais, prestava atenção nas explicações do meu pai. Vocês sabem, essas explicações sobre impedimento, gol olímpico e até sobre a mãe do juiz, que todo menino parece nascer sabendo e que eu tive a sorte de aprender. Ouvi falar até de uma tal supremacia do São Paulo (time que meu pai torcia), mas com o discernimento correto, resolvi não adotar esta filosofia na minha vida. Fazer o quê, né? Nem toda educação é perfeita, pais também erram...

O futebol marcou apenas o início da minha relação com o esporte. Em 1992, descobria as outras modalidades nos Jogos Olímpicos de Barcelona. E mais uma vez, não tem como deixar de falar do meu pai. Era ele quem me acordava de madrugada para assistirmos aos jogos. Fui me familiarizando com alguns nomes e apelidos: Jaime Oncis, Mão-Santa, Gustavo Borges, Márcia Fú, Giovanne Gavio, Hortência... Daí para frente, não tinha mais jeito. Tinha me tornado ‘a’ torcedora do esporte brasileiro.

E sobre a Fórmula 1, o que eu tenho a dizer? Confesso que pouco acompanhei sobre o nosso maior ídolo, Ayrton Senna. Apenas lembro-me de torcer por ele na Mac Laren e pelo Rubinho na Jordan; acho que em 93. E no ano seguinte...expectativa total, contrato com a Williams e um muro que não pode ser transposto...

Como você perceberá, leitor, o meu conhecimento em esporte não é especializado, mas sim empírico, resultado de jogos, partidas e corridas que assisti. Isto ficará ainda mais claro quando você iniciar a leitura do texto abaixo, fruto muito mais da minha memória (que, lógico, é falha) do que de estatísticas sobre o assunto. A minha intenção aqui é escrever sobre algo de que gosto, e de que gosto muito, apesar de reconhecer que nem sempre estou atualizada com as novidades da área. Um último recado para você: estou aguardando o seu feed-back e a sua contribuição, para que esta coluna, não só melhore, mas para que ela possa, tal como a sua redatora, se ‘formar’ e obter o diploma de "Doutora da Bola".

A Largada

Eu juro que tentei. Tentei, reconheço agora que em vão, resistir a tendência que insistia em torcer contra o Barrichello. Estava eu, desde 93, acompanhando a sua Jordan e torcendo para que ela chegasse ao menos em 6º lugar e, assim, pudesse garantir um ponto ao nosso piloto. Vibrei eu quando Senna o elogiou, quando a sua habilidade em pista molhada foi reconhecida, quando conseguiu sua primeira pole-position, quando fechou contrato com a Ferrari, quando ganhou a sua primeira corrida em julho de 2000. Fiquei do seu lado até, depois daquela palhaçada na temporada de 2002 (não me recordo o circuito), na qual Rubinho deixou Schumacher passar a sua frente na última volta. E até no início deste ano, torcia eu desesperadamente por ele, quando por falta de gasolina, abandonou a corrida de Interlagos. Só que, com a chegada da última etapa da F-1 2003, em Suzuka, no Japão, me vi obrigada a mudar de lado. Quando as cinco luzes vermelhas se apagaram na madrugada do dia 12/10 (horário de Brasília), me tornei a fã nº 1 de Raikkonen. Afinal, não queria ver eu, de novo, Schumacher campeão (e o que é pior, pela sexta vez). Só os 10 pontos do finlandês me interessavam.

O porquê da minha antipatia pelo alemão? Sei lá, acho que nem Freud explica. Mas acho que tem a ver com a mitificação que fizeram em torno do cara. Me lembro muito bem, quando ele ainda corria pela Benneton, dos ‘quartos lugares’ que alcançava. Ok, reconheço também que ele se destacou em muitas corridas com aquele carro amarelinho, ele é bom, mas... Acho que o que me incomoda é o fato dele ter superado algumas marcas e alguns recordes do Senna.

Aproveitando que abri um parêntese para falar das minhas antipatias no esporte, aí vai mais uma revelação: Surpresa! O Galvão consegue me irritar. Na verdade, nada de novo até aí, ele consegue irritar muita gente. Para ficar só com o exemplo da corrida de ontem, têm-se alguns fatos. Primeiro, o locutor não se cansava de falar mal da TV Japonesa. "Gostaríamos de lembrar que a geração das imagens é feita pela TV Japonesa e que existem, no momento, algumas falhas na parte da informática, por isso eu e o Reginaldo estamos com dificuldades em passar as informações precisas para você, telespectador". Tudo bem, problemas acontecem, mas ficar falando mal o tempo todo (engraçado, percebi que eu estou fazendo o mesmo...) Acho melhor guardar estas aflições comigo. Vamos à corrida, então:

Rubinho já na 1ª volta perde a pole para o colombiano Juan Pablo Montoya, Da Matta cai de 3º para 4º lugar e Raikkonen sobe duas posições. Enquanto isso, Schumacher, em oitavo, vai garantindo o título inédito. Mais alguns quilômetros e o panorama muda: o alemão erra na 6ª volta ao tocar com o bico do carro na BAR do japonês Takuma Sato. Vai para o pit stop e volta na última colocação. Daí para frente é a sua corrida de recuperação.

Mais incidentes na pista: Montoya abandona por problemas hidráulicos, Alonso sai da corrida e Shumacher volta a errar ao tentar ultrapassar Cristiano da Matta na 42ª volta. Mesmo com tantos contratempos, não teve jeito: o hexa foi do alemão e a frustração ficou com a redatora, que por ora, escreve nesta coluna.

Pódio de Suzuka:
1º lugar: Rubens Barrichello
2º lugar: Kimi Raikkonen
3º lugar: David Coulthard

Sunday, March 06, 2005

Obras Incompletas

Antes do texto ‘Seu Alcides’, os esclarecimentos: Sou mestre em deixar meus ‘rabiscos’ pela metade. Não foram poucas as linhas omitidas; as palavras que teimaram comigo e fugiram do papel – vai ver, tinham algo mais interessante pra fazer do que obedecer às minhas ordens. Mas vá lá... Poderia até tentar enumerar as razões por, muitas vezes, não ter concluído as etapas - textuais, ensinadas pela tia de redação na escola; ou jornalísticas, vivenciadas, primeiramente, nos corredores da Facomb. Mas prefiro lançar mão de uma boa desculpa esfarrapada. Sabe como é... Você, toda empolgada, com caneta ou teclado à disposição, e de repente, uma pequena interrupção, o telefone que toca, o pedido de ajuda de um parente, a lembrança de um compromisso...

Eita, o almoço ficou pronto...

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Após a introdução acima – sem desenvolvimento e conclusão mesmo – coloco o ‘Seu Alcides’ em pauta pra ilustrar a minha mania por obras incompletas. Ah, só mais um aviso: seguem, junto com o texto, indicações sobre dia e local da (falta de) inspiração.

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Uberaba, 06 de janeiro de 2005 - 'escritório' do Tio Beto
Já pensou no que 45 minutos podem fazer com a sua vida? Antes que os torcedores de plantão afobem-se em dar uma resposta - aquela, sabe, que responsabilizará esta parcela de tempo pela derrota do time do coração - antecipo-me, tomo o apito do juiz e (re) conduzo o jogo. Trocadilhos à parte, vamos ao que interessa, afinal a conversa que consolidaremos a seguir tem nas salas de cinema - neste caso - um cenário muito mais sugestivo do que o oferecido pelas arquibancadas dos estádios.

Recomecemos. Três quartos de uma hora antecipados proporcionaram a mim - pessoa física, residente em Brasília, de férias na cidade natal, Uberaba, - conhecer uma pessoa especial: Alcides, pele clara, com seus 1,70, elegante, vestido impecavelmente com uma camisa de linho branco, calça azul marinho combinando com a meia, e sapatos pretos. Cupido em ação? Sinto em desapontar aos 'últimos românticos', mas o enredo aqui não segue a linha água com açúcar. Os detalhes omitidos até então podem evidenciar o caso não concretizado. Enumeremos: Primeiro, sou comprometida e muito apaixonada pelo AMOR DA MINHA VIDA ( se você lembrou do hit do Cazuza, fico feliz; era esta a minha intenção). Segundo: mesmo se fosse solteira, há uma incompatibilidade básica; bem, pelo menos para mim, que graças à Deus, sou conservadora em determinadas situações: Alcides, ou melhor, Seu Alcides (meus pais sempre me ensinaram a tratar com respeito as pessoas mais velhas) tem idade para ser meu avô, 80 anos.

Curioso para entender este encontro de gerações e as circunstâncias temporais e espaciais que o envolveram? Então, vamos lá, numa linha cronológica, sensata, sem idas e vindas - exatamente o contrário de tudo o que fiz até agora.

Noite gostosa em Uberaba, esta do dia seis de janeiro. Clima ameno, ideal para ir ao cinema caminhando pelas ruas da cidade. Melhor ainda perceber que os nossos passos (sem o estresse, a correria do dia-a-dia) conseguem chegar ao local almejado em 10 minutos. Ah, as companhias! Quase esqueço de falar que, acompanhando o andar dos meus tênis novos, estavam mais dois pares de sandálias: o da minha irmã do meio e o da minha prima.

Conversa boa durante todo o percurso e chegada 'prevista' dentro do horário no Cine São Luiz, às 20h45. Abro um parêntese agora para explicar as aspas digitadas há uma linha atrás: segundo as informações da minha irmã, o filme começaria às 21 horas. Pena que o horário no cartaz teimou com ela: apontava, com números em negrito, 21h30. A solução: ficar esperando, por 45 minutos, a sessão do filme.

A próxima seqüência da narrativa não é nada difícil de adivinhar: é neste exato momento que conhecemos Seu Alcides. Na verdade, que conversamos com ele. Afinal, contatos preliminares já haviam sido estabelecidos com o homem que desde 1949 controla a entrada do primeiro cinema de Uberaba. Seu Alcides recolheu, com certeza, muitos tickets da família Lacerda. O equívoco do clã? Não ter percebido que a história de vida dele podia ser muito mais interessante do que o roteiro que nos aguardava nas telonas do cinema.

Erro reparado, diálogo iniciado. Com um tom de voz sereno, Seu Alcides discorre sobre fatos cotidianos. Somos premiadas com estórias que poderiam render Oscars, e digo, em diversas categorias. Ele gaba-se - com razão - de nunca ter pagado uma sessão de cinema. Já foi reconhecido em terras mais remotas, pelo menos alguns quilômetros consideráveis distante do local de trabalho. Na praia de Guarapari, foi identificado carinhosamente como 'o careca do São Luiz'.

Sobre o emprego, é enfático ao responder porque há 56 anos - e mesmo aposentado - bate ponto no São Luiz. "Minhas filhas, isto aqui é melhor do que a minha casa". Até como free lancer na sua área trabalhou: estava em visita à sua filha mais velha, que mora na Capital Federal, e deu uma passadinha no Cine Brasília. O responsável pela catraca do cinema queria ir à Goiânia, e Seu Alcides, prestativo, topou ficar no lugar do colega.

P.S: texto incompleto, vou entrevistar o cara para ter mais histórias...

- a altura e a idade do Seu Alcides, descritas no texto, baseiam-se em impressão.

Planeta Diário

De mala e cuia. É assim que entro, definitivamente, no mundo virtual. Na bagagem, resquícios e lembranças do que foi antes o registro de idéias em suportes convencionais. A partir de hoje, não apenas folhas de papéis e disquetes testemunham o teor das minhas opiniões e pensamentos.

Pois é, deixei a resistência de lado, me rendi aos (dis) sabores de viver em uma comunidade global e aceitei o desafio de ter e manter um blog. Com um adendo (acho esta palavra muito feia, não sei nem porque a usei): no espaço, vocês vão encontrar, além de relatos do dia-a-dia de uma jornalista recém-formada, artigos e escritos de longa data que me acompanham e imploram por publicidade. Tudo bem, reconheço, já entrou em cena – putz, e no segundo parágrafo – o ego inflado que acompanha a profissão. Sejamos, então, diretos e pragmáticos: o blog vai servir para dar visibilidade a tudo que escrevi e cansou de viver no anonimato.

Depois de todo este nariz-de-cera, creio que fica mais transparente – ou não - a escolha do nome ‘Planeta Diário’. O lugar que abrigará os posts precisava de uma certidão de nascimento referendada no mundo jornalístico, não necessariamente no real. A opção enveredou-se pelo caminho da ficção e a primeira lembrança que tive antecipou-se, e digo, rapidamente, em materializar-se como o órgão oficial de comunicação da Carla Lacerda. E o resultado está aí, espero eu, pra super-herói nenhum botar defeito.

Primeiro P.S:

Que fique bem claro: a periodicidade dos posts não se submete à imposição – sutil – que o título sugere.