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Friday, December 27, 2013

5 - O fim, ops, o começo da odisseia em São Paulo!


*Entrevista realizada no dia 7 de outubro de 2011.
Matéria originalmente veiculada no Blog Meninas do Esporte, em 2011. 

Sabe aquele lance de chegar de viagem e “enrolar horrores” para desarrumar a mala? Pois é. Fiz isso virtualmente. Depois de minha ida à São Paulo, em outubro, mês em que estava de férias, voltei com a bagagem cheia de novidades para os leitores do blog. A odisseia começou a ser narrada pelo fim, passamos pelo meio, e ficou faltando, claro, o começo.

E foi tão especial o começo! No aeroporto Santa Genoveva, na fila de embarque, o Thiago me cutuca para mostrar que tem atleta no nosso voo! Sim, se no post “O início, o meio e o fim...”, eu fiz suspense, aqui não tem nada de segredos. Lars Grael. Foi ele quem entrevistei nos ares.

Imagina a minha adrenalina! Já acomodada na poltrona do avião, pensava a melhor hora de abordá-lo. “E se ele não quiser falar? E, aí, chego lá, falo que sou jornalista e pergunto se não quer me dar uma entrevista em pleno voo?” Enquanto minha mente borbulhava, a aeronave deixava a pista de Goiânia. Mais alguns minutos, e já nos era permitido tirar o cinto. Pronto, peguei máquina fotográfica, gravador digital, bloquinho de notas e caneta (gravadores sempre falham. E, pra não me deixar mentir, aconteceu! A bateria do equipamento acabou no meio da entrevista, acreditam???).

Mas enfim, com o material em mãos, lá vou eu, pé ante pé, procurando o Lars Grael no avião. Claro que milhões e trocentos mil passageiros ficaram me olhando. Eu, nem aí, firme no propósito de entrevistá-lo para o blog. Pergunto para um dos comissários de bordo:

 - Por favor, sabe onde está sentado o Lars Grael?

 - Não sei, tem que perguntar para...

Lars Grael
Não me lembro, agora, pra quem ele falou que eu tinha de perguntar. Sei que agradeci e resolvi ir pro começo da aeronave. E na primeira poltrona... Lá estava ele lendo notícias de um caderno de esportes.

 - Boa tarde! Com licença! Tudo bem? Sou jornalista em Goiânia e tenho, junto com uma amiga, um blog de esportes. Será que podia te entrevistar?
 - Claro.

A poltrona do meio estava vaga – na da janela havia uma senhora; o Lars estava na do corredor. Me acomodei na do meio.

 - Qual o seu nome? – pergunta Lars.

 - Carla (Fiquei tão preocupada em falar que era jornalista, que tinha um blog e coisa e tal, que esqueci o básico: falar meu nome...)

*****

No gravador, foram cinco minutos e vinte e dois segundos de entrevista – até a bateria acabar! Conversamos mais um pouco off-line. Perguntei a ele o que achava da situação do aeroporto Santa Genoveva. “Um aeroporto velho, infelizmente prometem mudanças que não acontecem. É necessário um novo terminal de passageiros”.

Lars falou ainda que começou a velejar por influência do avô materno, que era dinamarquês, e que seu nome, em português, seria equivalente a Lourenço. Perguntei do jornal que estava lendo – era o caderno de esportes do Correio Braziliense – e ele usou um termo que adorei: “monocultura esportiva”. “Os jornais, o noticiário de forma geral, tentam impor uma monocultura esportiva quando priorizam só o futebol em suas páginas. Gosto de ler o Correio, porque ele tenta falar de outras modalidades também, mas se você olhar aqui, de 12 páginas, 10 falam de futebol”. E era verdade, nós contamos o número de notícias.

O velejador esteve em Goiânia no dia 6 de outubro para dar uma palestra para funcionários de uma incorporadora de imóveis. Diz que gosta da nossa cidade e que já veio aqui mais de uma dúzia de vezes. “Morei 15 anos em Brasília”. Atualmente está no Rio de Janeiro.

Falar do currículo dele, nem precisa, né! Mas vamos lá: Paulistano, 47 anos, tem dois títulos olímpicos, um mundial, oito sul-americanos e 18 brasileiros. (Se errei a conta, me desculpe, Lars!). Quando sofreu o acidente, em 1998, tinha 34 anos. Este ano, na classe star, foi campeão brasileiro e sul-americano. O atleta foi ainda secretário nacional de Esportes, entre 2001 e 2002, e secretário estadual de Esportes, em São Paulo, entre 2003 e 2006.

*****

Bem, menino quando demora a desarrumar a mala, chega com aquela carinha de choro pra pedir desculpas pra mãe. As minhas desculpas vão para os leitores do blog e para o Lars Grael – por ter demorado tanto tempo pra publicar a entrevista, realizada no dia 7 de outubro de 2011. Por isso, perdoem alguns assuntos que ficaram defasados. Erro meu, assumido e confessado. No mais, gostaria de mais uma vez agradecer ao velejador pela entrevista. Lars foi muito simpático e educado. Obrigada!

(Segue nosso bate-papo)



Time do coração:
Torço pro Vasco da Gama, que atualmente está em alta, então está até fácil de falar (risos). Não sou fanático por futebol, mas gosto, acompanho e vejo o Vasco hoje em bom momento.

O que espera da seleção brasileira hoje (07/10, contra a Costa Rica) e no amistoso de terça-feira (11/10, contra o México)?
No mínimo, uma goleada. Acho que a seleção vem acumulando maus resultados, então tenta motivar a torcida buscando adversários fracos, mas acho que isto é enganar um pouco a realidade. O negócio é enfrentar a Argentina completa, a Alemanha, Inglaterra, Espanha, isto é o mais importante.

Nota da blogueira: Brasil passou apertado pela Costa Rica, por 1 a 0, e venceu o México, de virada, por 2 a 1.

Quem você acha que falta o Mano escalar?
Está aí uma boa pergunta. É difícil a gente tentar interferir no trabalho de um profissional que tem grande conhecimento de causa, que tem todo um mérito para estar técnico da seleção brasileira. Eu prefiro não opinar sobre isso.

Nas palestras motivacionais que você faz, o que principalmente aborda?
Quase sempre faço um paralelo, uma analogia entre a minha trajetória como cidadão brasileiro, como velejador, como gestor no esporte que fui - e também em função da minha superação após o acidente - com os valores empresariais, seja a volta por cima, planejamento, metas, resultados; seja sensibilizar empresas para que possam contratar pessoas com deficiência e vários outros valores que são comuns ao ambiente competitivo do esporte e ao ambiente competitivo capitalista.

O que foi mais difícil após o acidente?
O mais difícil foi entender um sentido pra vida, aceitar uma condição minha sendo um deficiente pra quem vivia do esporte olímpico, do próprio corpo. Mas pessoas que passaram por situações semelhantes e que me trouxeram depoimentos de vida, de muita garra, superação, volta por cima, foram muito importantes. Então fui encarar a vida a partir dali, olhando pra frente, sabendo que eu tinha capacidade de ser feliz, de continuar a produzir a até mesmo de voltar a competir, e os resultados vieram de lá pra cá. (Em 2011, Lars Grael  foi campeão brasileiro e sul-americano, na classe Star).

De quem foram esses depoimentos que você falou que te ajudaram a superar esta fase?
Olha, foram vários. No meio do esporte, o falecido medalhista olímpico e recordista mundial João do Pulo; um outro, que pratica o voo livre, o Ranimiro Lotufo; o triatleta Rivaldo Martins, o surfista Alcino Neto, conhecido como Pirata, entre muitos outros. Tive também uma enfermeira do hospital Albert Einstein, chamada Cláudia, que foi muito importante pra mim.

Quantas viagens você faz por mês para dar palestras?
Já rodei as 27 capitais pelo menos duas vezes em cada uma delas. Mas eu tenho alternado meu tempo entre dias que disponho pra fazer palestras em todo o Brasil, dias que eu uso pra treinar e competir na vela, ou cuidar e dar suporte para as iniciativas de organizações não-governamentais que eu tento dar uma colaboração.

O que você espera da vela no Brasil no Pan?
O Brasil tem uma grande tradição na vela. No Pan do Rio, em 2007, venceu no quadro de medalhas da modalidade, e está indo com uma equipe muito forte para o México. Eu acho que o Brasil deve sair de Puerto Vallarta, onde vão ser as competições de vela, mais uma vez como país vencedor no quadro de medalhas. Pelo menos, estamos preparados para isso.

Que nomes você destacaria na vela que vão pro Pan?
Olha, na prancha-vela são os mesmos velejadores olímpicos, o Ricardo Winicki dos Santos, na prancha RS-X, masculino; no feminino, a Patrícia Freitas, que já foi campeã mundial da juventude e é uma promessa para os jogos de 2016; na classe Laser, o Bruno Fontes, com certeza, disputa medalha, ouro, prata ou bronze; na classe J24, temos o favoritismo do Maurício Santa Cruz e sua equipe; na classe Sunfish, nós temos o favoritismo do atual campeão mundial, que é brasileiro, Matheus Dellagnelo; na classe Lightning, nós temos um grande favorito a medalha, talvez não a de ouro, que é o Claudio Biekarck.